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Notícias de André Lovadine

Tradução de negócio: a engrenagem que transforma o motor.

Empresas e criativos trabalham para o mesmo resultado. Mas, muitas vezes, parecem operar em mundos diferentes.O gestor pensa em margem, prazo, risco, operação, cliente, crescimento. O criativo pensa em conce...

Tradução de negócio: a engrenagem que transforma o motor.

Tradução de negócio: a engrenagem que transforma o motor.

Empresas e criativos trabalham para o mesmo resultado. Mas, muitas vezes, parecem operar em mundos diferentes.

O gestor pensa em margem, prazo, risco, operação, cliente, crescimento.


O criativo pensa em conceito, linguagem, repertório, percepção, estética.

São motores diferentes.

O problema começa quando alguém tenta fazer esses motores funcionarem juntos sem cuidar do engrenamento.

É aí que surgem reuniões intermináveis, retrabalhos, interpretações equivocadas, decisões que voltam para a estaca inicial e uma quantidade enorme de energia desperdiçada tentando explicar o que, na origem, não foi traduzido.

E existe uma consequência ainda mais cara.

A empresa começa a acreditar que comunicação não funciona.

Às vezes, a estratégia estava certa.

A ideia era boa.

A execução tinha qualidade.

O que falhou foi a relação entre as pessoas responsáveis por fazer aquilo acontecer.

Essa percepção mudou bastante a maneira como enxergo meu próprio trabalho.

Uma parte importante do que faço como Business Creative Director é traduzir negócio.

Não traduzir palavras.

Traduzir mundos.

Pegar uma necessidade empresarial que chega em linguagem de negócio e transformá-la em uma questão que um criativo consiga compreender, interpretar e transformar em criação.

Depois, fazer o caminho inverso.

Pegar uma ideia criativa e traduzi-la para que um empresário enxergue sua lógica, sua função e seu impacto.

Parece simples.

Não é.

Essa tradução exige empatia, leitura de contexto, psicologia, gestão de pessoas e uma experiência profunda com criação.

É uma espécie de habilidade de engrenagem.

Eu gosto de pensar no termo gear man.

Alguém que entende os motores e sabe como fazer seus dentes se encontrarem.

Não conheço curso que ensine isso de verdade.

Porque parte desse conhecimento nasce da convivência com pessoas, da observação de conflitos, da experiência acumulada e da capacidade de perceber aquilo que ninguém está dizendo, mas está interferindo na criação.

Isso ganhou ainda mais importância com a inteligência artificial.

A IA colocou ferramentas poderosas nas mãos de praticamente qualquer pessoa. O DIY ganhou escala. O revisionismo superficial ganhou velocidade. O conhecimento técnico, e também o pseudoconhecimento, ficou banalmente acessível.

Quando todos podem produzir, opinar, revisar e justificar tecnicamente quase tudo, o ego também ganha ferramentas.

E, na criação corporativa, ego desengrenado custa caro.

Hoje, gerir pessoas talvez seja uma das competências mais importantes para quem pretende criar para negócios.

Não porque a criatividade tenha perdido importância.

Porque ela ficou abundante.

O diferencial passa a estar em conseguir fazer diferentes inteligências trabalharem na mesma direção.

Engrenar é libertar.

Quando o empresário consegue ser compreendido pelo criativo e o criativo consegue ser compreendido pelo empresário, uma quantidade enorme de energia deixa de ser gasta em atrito.

E volta para onde deveria estar desde o começo.

Na criação.

A boa tradução de negócio não diminui a criatividade.

Ela tira o peso que impede a criatividade de funcionar.

*****

Obrigado pela leitura!

Honrado pela oportunidade.

Este ensaio é um lapso do meu pensamento. São ideias que, no seu negócio, na sua realidade, podem promover mudanças significativas.

A inovação, que você tanto busca, está sempre perto. Mais acessível do que imagina. Acredite. Clarifique. Liberte-se.

Estamos a um clique de distância.
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