Depois de duas décadas trabalhando com criatividade, uma constatação ficou muito clara para mim: o resultado de um trabalho criativo depende tanto da qualidade da ideia quanto da forma como as pessoas envolvidas se comportam diante dela.
Criativos, empresários, gestores, clientes, stakeholders. Todos carregam uma espécie de pólvora comportamental.
Ela pode gerar energia para atravessar um problema que parecia impossível. Também pode incendiar uma reunião, destruir uma boa ideia ou fazer um projeto inteiro implodir antes mesmo de chegar à execução.
O curioso é que ainda tratamos a criatividade como se ela fosse propriedade da ideia.
Não é.
Uma ideia passa por pessoas. E cada pessoa acrescenta alguma coisa ao percurso. Expectativas. Medos. Vaidades. Pressa. Repertório. Segurança. Insegurança. Ego. Generosidade. Controle. Confiança.
É aí que as chamadas soft skills deixam de ser soft.
Durante muito tempo, competências como comunicação, escuta, negociação, inteligência emocional, liderança e capacidade de colaboração foram tratadas como atributos desejáveis, quase acessórios.
Eu vejo de outra maneira.
As soft skills são as novas power skills.
E a inteligência artificial tornou isso ainda mais evidente.
A IA comprimiu uma parte importante da distância entre imaginar e produzir. Ela acelera pesquisa, exploração, prototipação, texto, imagem, análise e execução.
Quando a ferramenta aumenta a capacidade de produção, o comportamento de quem a utiliza ganha ainda mais peso.
A peculiaridade humana ficou mais poderosa.
Para o bem e para o mal.
Um profissional brilhante, incapaz de ouvir, consegue gerar mais problemas em menos tempo. Um líder inseguro, com ferramentas mais potentes nas mãos, consegue controlar mais, interferir mais e sufocar mais. Um time maduro, por outro lado, transforma velocidade em avanço.
Por isso, liderança comportamental ocupa hoje um espaço estratégico na criação.
É uma parte importante do que faço como Business Creative Director.
Gerenciar um trabalho criativo também significa gerenciar informação, percepção, expectativa, energia, cultura e bem-estar. Significa perceber quando uma informação precisa circular, quando uma decisão precisa ser protegida, quando uma tensão precisa ser enfrentada e quando uma pessoa precisa simplesmente de espaço para fazer seu trabalho.
Não se trata de deixar o ambiente agradável.
Trata-se de criar as condições para que a inteligência coletiva consiga funcionar.
Uma empresa pode contratar os melhores profissionais disponíveis e ainda assim produzir resultados medíocres.
Porque talento individual é matéria-prima.
O comportamento define o que será feito com ela.
A liderança que entende isso deixa de administrar apenas tarefas, prazos e entregas. Passa a administrar a força que determina como as pessoas pensam, criam, colaboram e decidem.
Como pólvora, comportamento sem direção é só barulho, fumaça e um perigoso fogo. Com direção, é luz, calor, força, movimento, impacto e, consequentemente, transformação.
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Obrigado pela leitura!
Honrado pela oportunidade.
Este ensaio é um lapso do meu pensamento. São ideias que, no seu negócio, na sua realidade, podem promover mudanças significativas.
A inovação, que você tanto busca, está sempre perto. Mais acessível do que imagina. Acredite. Clarifique. Liberte-se.
Estamos a um clique de distância.

A nova pólvora se chama comportamento.
27/08/2026
André Lovadine
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